sábado, 8 de outubro de 2011

domingo, 2 de outubro de 2011

há muito deixei de tudo... há muito. muito tem acontecido... tenho ido e vindo mas não sei porquê... deixei. tenho tudo dentro e não o tenho conseguido... não me tenho percebido... não me tenho tido.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Angústia Tortura do pensar! Triste lamento!
Quem nos dera calar a tua voz!
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento!

E não se quer pensar! ... e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós ...
Querer apagar no céu – ó sonho atroz! –
O brilho duma estrela, com o vento! ...

E não se apaga, não ... nada se apaga!
Vem sempre rastejando como a vaga ...
Vem sempre perguntando: “O que te resta? ...”

Ah! não ser mais que o vago, o infinito!
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de tigre na floresta!

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

terça-feira, 3 de maio de 2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011

quinta-feira, 31 de março de 2011

domingo, 13 de março de 2011

Amar!

Florbela Espanca

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
NOX


Noite, vão para ti meus pensamentos,
Quando olho e vejo, à luz cruel do dia,
Tanto estéril lutar, tanta agonia,
E inúteis tantos ásperos tormentos...

Tu, ao menos, abafas os lamentos,
Que se exalam da trágica enxovia...
O eterno Mal, que ruge e desvaria,
Em ti descansa e esquece alguns momentos...

Oh! Antes tu também adormecesses
Por uma vez, e eterna, inalterável,
Caindo sobre o Mundo, te esquecesses,

E ele, o Mundo, sem mais lutar nem ver,
Dormisse no teu seio inviolável,
Noite sem termo, noite do Não-ser!
Dos "Sonetos"

Antero de Quental

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

sábado, 8 de janeiro de 2011

um fio.

linhas e nós formam redes...
queremos a vida como uma linha...
por mais que te esforces...ela formará nós...
encruzilhadas.
quem somos...como somos...para onde vamos...porque estamos?
rede esta!
esta rede por onde passas e não ficas.
rede de nós e poucas conquistas.
rede de gentes sós.
rede de entre linhas.

Wagner: Tristan und Isolde - Prelude



tu tristão eu isolda.
assim acaba a nossa história.

domingo, 19 de dezembro de 2010

buraco.

tenho dores que me rasgam como se de um tecido se tratasse.
eles não conseguiram...
como se magoa tanto uma pessoa que prometemos amar, cuidar...
o que a vida nos faz...
o que fazemos nós à vida que temos...
só posso nisto aguentar...
aguentar todas a ladeiras...
todas as formas e beiras...
e cuidar.
tenho de cuidar de ti como o fizeste por mim...
que agrura tem a tua vida
que dor tenho
que medo sinto
que buraco finto...